Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo cosmovisão

Joab Jo Malungo

"Tentam diasporar nosso corpo, mas nosso corpo não pode ser diasporado.  O Corpo não é o corpo. Só não existe.  O pinote não é só pinote. O pinote é o pinote. A capoeira não é só pinote. Não é só pulo. A capoeira pensa." O corpo é o que não nos deixa perder de nos mesmo. A gente nao perde o corpo nunca. A colonização tentou nos separar de nosso próprio corpo." (Joab Jo)

Do outro lado de cá: O Sistema Caboclo

dikenga e o sistema caboclo Por que este encontro aconteceu na Zona da Mata?   Por que em terra de caboclo?  Por que conexões Mandinga - Ginga - Linha de Kalunga ? Foi assim que Joab Jo falou: "Tentam diasporar nosso corpo, mas nosso corpo não pode ser diasporado. O Corpo não é o corpo. Só não existe. O pinote não é só pinote. O pinote é o pinote. A capoeira não é só pinote. Não é só pulo. A capoeira pensa." O corpo é o que não nos deixa perder de nos mesmo. A gente não perde o corpo nunca. A colonização tentou nos separar de nosso próprio corpo." (Joab Jo) "Não existe opressão que não atravesse o corpo" (Eduardo Oliveira) Ataques a corpos que não se deixam docilizar. As historias de vida é a cura dos sistemas estruturados para oprimir. Todos temos nossas narrativas.  O Jogar capoeira é como parir.  Pertencimento, Colonialismo . É muita gente violentada. É muito corpo violentado. Se não percebemos os mecanismos de violência não ...

A visão Bantu Kongo da sacralidade do Mundo Natural. Por Kimbwandende Kia Bunseki Fu­Kiau. Tradução portuguesa por Valdina O. Pinto

A visão Bakonga do Mundo Natural. Por Bunseki Fu Kiau . Tradução Makota Valdina O mundo natural para o povo Bântu, é a totalidade de totalidades amarradas acima como um pacote (futu) por Kalunga, a energia superior e mais completa, dentro e em volta de cada coisa no interior do universo ( luyalungunu). Nossa Terra, o “pacote de essências/medicamentos” (futu dia n’kisi) para a vida na Terra, é parte dessa totalidade de totalidades. É vida. É o que é, visível e invisível. É a ligação do todo em um através do processo de vida e viver ( dingo­dingo dia môyo ye zinga). É o que nós somos porque nós somos uma parte disso. É o que mantém cada coisa na Terra e no Universo em seu lugar. O conceito Bântu­Kôngo da sacralidade do mundo natural é simples e claro. Tem­se que deixá­ los definir o nosso planeta com suas próprias palavras: “Aos olhos do povo Africano, especialmente aqueles em contato com os ensinamentos das antigas escolas Africanas, a Terra, nosso pla...

Reflexão sobre o RedBull paranauê, por Mestre Cobra Mansa

  Estamos simplesmente replicando o pensamento opressor? “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. ( Paulo Freire ). Poderíamos facilmente trocar a palavra educação por capoeira, ao almejar ocupar o lugar do opressor, inconscientemente o indivíduo deseja a manutenção da estrutura social ampla na qual ele hoje se sente oprimido, na esperança que um dia seja ele a oprimir. Estaria a mentalidade colonial tão incutida dentro de nós que não conseguimos nem mais refletir quem fomos, o que somos ou o que estamos fazendo para as futuras gerações? Estamos simplesmente replicando o pensamento opressor? Como lutar por uma decoloneidade corporal, mental e social quando convertemos os nossos símbolos de resistência em simples eventos, espetáculos, porque quando isso acontece converte-se também o que era originalmente perigoso em algo limpo seguro e domesticado, pois retiramos o seu poder de rebeldia. Nós capoeiristas estamos lutando po...

Árvore da Memória: Xan Marçall ... Poéticas e Encantarias de uma Parauára

Xan Marçal: Poéticas, Encantarias e Ancestralidade de um Parauára . . Mo: Estamos aqui na Rádio Ki.Anda, invadindo a casa do multi-artista Xan Marçall ( paraense radicado na Bahia )  e eu nem sei por onde começar, porque Xan Marçall nos trás tantas histórias .. .  Xan: Eu sou Xan Marçall, sou Parauára, de Belém do Pará. Nasci dia 28 de fevereiro de 1986, sou pisciana e filha de Alda Barros de Oliveira e Pedro Paulo Pires Moura.  Sou do Pará e tenho toda uma ligação mística com a história do nascer, porque acho que as pessoas antes de nascer já escolheram nascer nesse lugar. Então ... antes da gente encarnar a gente já tinha consciência de todo trajeto que a gente queria percorrer nessa vida. É como se fosse uma espécie de Déja Vu , sabe? Não sei se estou falando loucura, sabe? Mas é como se a gente já tivesse visto tudo o que ia acontecer … na verdade, existem também as possibilidades de tu escreveres o teu caminho a partir de uma coisa que já foi vis...

A poética da Cabaça

olhar: não é ver . ouvir: não é escutar. ao passo que refinamos nossos sentidos, adentramos num mergulho sinestésico na natureza mais profunda das coisas do universo. Cabaça. Este nome (que em árabe - kara bassasa - quer dizer "abóbora lustrosa") designa uma das primeiras plantas a serem cultivadas no mundo, não apenas para uso alimentar, como para uso  doméstico, culinário e também espiritual.  À primeira vista u ma cabaça pode não te dizer nada. Mas para muitas cosmovisões afrikanas e indígenas, a cabaça tem significados reveladores e metafísicos sobre a própria existência humana. Na mitologia yorubana a cabaça está presente em Ytans de mais diversos orixás, sendo associado à Oduduá, às Ya Mis, a Obaluaê, a Nanã, a Orumilá, a Exu ... Aqui uma lenda yorubá chamada Igbadu (A Cabaça da Existência), belíssimo texto de Adilson de Oxalá: (...) Devo lembrar-te de que, se hoje és detentor do poder sobre os 16 destinos, deves a mim este privilégio, ou po...