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Bwiti e Ngombi. Música e Ritual bakongo

Ritual Bwiti, do Gabão A linha de Kalunga, os fluxos desta Kalunga vão nos levando pelos mares transatlânticos... Vamos Seguindo as linhas de navegação sem pressa, honrando e agradecendo.  Estou há um tempo concebendo uma vivência que une filosofia bantu, música e consciência corporal. Percebendo a necessidade de ancorar os trabalhos desta vivência em uma família de instrumentos musicais, minha caminhada vem me levando aos arcos e harpas afrikanas. Cheguei desta vez, depois de muita meditação, ao precioso instrumento musical chamado Ngombi, um instrumento de cordas, uma harpa, muito comum no Gabão. O Ngombi é usado durante os rituais de Bwit, religião do povo Mitsogo, neste país. A Áfrika é muito conhecida por seus tambores, mas pouco se fala da riqueza das cordas afrikanas. Isso bem me disse um amigo de Guiné Bissau. Mas a Harpa existe desde os tempos do antigo Egito, Kemet, a terra negra.  As antigas harpas de Kemet datam de mais de 5.000 anos e eram usadas no...

de onde eram os africanos escravizados que vieram para o Brasil?

principais rotas do tráfico negreiro para o Brasil Muitos de nós desconhecemos por completos palavras como yorubá, jeje, fon, banto - e sem saber somos herdeiros das culturas desses povos, que foram trazidos para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Juntos e misturados, mal podia-se perceber quanta diversidade traziam consigo em suas línguas, costumes sociais, crenças. Alguns registros contam que, por volta de 1470, o comércio de escravos oriundos da África tinha se tornado o maior produto de exploração vindo do continente. Eram prisioneiros de guerra, indivíduos condenados por roubo, feitiçaria, adultério, ou simplesmente raptados em suas vilas, tirados violentamente de suas terras, incluindo mulheres e crianças. A escravidão obrigou filhos de vários confins da velha mamma África se misturarem forçosamente. Tanto para os traficantes quanto para os senhores que compravam os escravos nas terras tupiniquins era melhor separar os negros de uma mesma tri...

Kalunga

  Kalunga do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú Matamba (Maracatu) Lua, luanda, me enluarou Quando Oyá Matamba por aqui passou Bola de fogo lumiava o ar,  a força do vento balançava o mar Dentro do universo artístico/cultural/espiritual em que vive o maracatu, existe um objeto mágico chamado Kalunga, que tem o poder de conexão do plano dos vivos com o plano dos mortos. Assim, resguarda em seus axés e benguês a memória dos Eguns (espíritos dos mortos), dos ancestrais daqueles que fazem parte de uma nação de Maracatu, trazendo força e proteção ao grupo e a cada um como indivíduo e suas famílias.  Para Mário de Andrade, a origem da palavra Maracatu é indígena:  maracá =instrumento ameríndio de percussão;  catu =bom, bonito em tupi;  marã =guerra, confusão.  Marãcàtú , e depois  maràcàtú  valendo como guerra bonita, isto é, o simbolismo da festa e da guerra, juntos e misturados.  Nas línguas de origem bantu, a palavra...

Aka Pigmeu

                                          [...] Os pigmeus realizam, em textura polifônica, o princípio da música modal que leva, em última instância, à superação da melodia pelo pulso: aqui não temos temas, nem mais movimentos de melodia; em vez disso, uma harmonia de ritmos que resulta de uma intensa e impressionante saturação melódica. As vozes se sobrepõem segundo o sentido original do contraponto: ponto contra ponto, nota contra nota. [...] A polifonia das alturas e durações, unida à granulação dos timbres rebatidos da voz, leva a uma estranha vertigem de tristezalegria” (WISNIK, 1989: 86-87). Para os Pigmeus Baka, que habitam as florestas tropicais dos Camarões, do Gabão e do Congo, a música é uma metáfora da vida. Está presente em quase todas as ocasiões, dos rituais de cura aos de iniciação, das canções de caça aos jogos coletivos, do nascimento à morte. O dia-a-dia...