RELEASE – OJU ONA
Lançamento: 12 de março de 2026
No dia 12 do 3 de 2026, nasce “Oju Ona” — manifesto sonoro que funde afrobeat e rap numa criação potente, ancestral e contemporânea. Com produção musical assinada por Liltim 031, a faixa evoca a musicalidade afrofuturista do Kongo em confluência com claves cubanas e brasileiras, criando uma atmosfera que pulsa entre o dançante e o combativo, entre o rito e a denúncia.
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| Arte feita por Oju, Mo Maie e Tey´-Kida para a capa do single |
“Oju Ona” — expressão iorubá que pode ser compreendida como olhos no caminho ou olhar que guia a estrada — é mais que uma música: é um chamado. Cântico que reverencia a força e soberania do povo preto indígena, marcado também pelo território mineiro que liga Itabirito, Ouro Preto e Mariana, região onde ouro e sangue escreveram capítulos profundos da história brasileira. O som emerge desse chão como resposta, memória e futuro e reúne três vozes promissoras do rap e da música afro da região:
MC Tata, com sua presença lírica firme e sensível, trazendo identidade, espiritualidade e afirmação; MC Tey Kida, com flow incisivo e narrativa urbana que atravessa denúncia social e consciência histórica; e Mo Maie, costurando corpo, território e palavra em uma estética afrofuturista e experimental.
Juntes, constroem um som inovador e instigante, que transita por diferentes atmosferas: do suingue afrobeat que evoca ijexá, semba e rumba, até a batida forte do rap que denuncia o genocídio da juventude negra e confronta as estruturas coloniais ainda vigentes.
A letra dança e luta. Celebra as claves africanas que se espalham pelo Atlântico — Cuba, Colômbia, Brasil — enquanto denuncia a violência estrutural que atravessa corpos negros. Entre referências a Exu Elegbara, Jurema e à força das mulheres ancestrais, a música afirma identidade e espiritualidade como caminhos de resistência.
“Oju Ona” é cura e espelho. É pólvora e rosa. É canto que risca vermelho no chão da história. Ao mesmo tempo que reverencia as tradições, a faixa projeta futuro: afrofuturismo mineiro, descentralizado, forjado nas encruzilhadas da serra. Um som que transforma memória em movimento e dor em potência criativa. No refrão, o chamado ecoa como mantra: “Oju ona ire ö ire ö…” - um pedido de caminhos abertos, bênçãos, proteção e prosperidade. Lançar “Oju Ona” na lua cheia é simbólico: é iluminar aquilo que tentaram apagar. É afirmar que a arte preta indígena da região não apenas resiste — ela cria, reinventa e lidera novos imaginários.

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