IROKO, O CORAÇÃO DO VAZIO Nas caudalosas águas do Tempo lavo as pedrinhas de minha alma. Quantas sementes já fui? Em que terra devo mergulhar para gerar fortes raízes? - Calma, Iroko. A Calma consegue tudo. Foi assim que entendi que dentro das sementes escondem-se todas as pedras da memória do mundo. Tudo o que já sentimos e tocamos. Tudo o que ouvimos - Tudo está adormecido dentro de nossas sementes. Ouço o canto dos Bambus enquanto faz-se e desfaz-se o Tempo em mim, como quem tece uma rede de sonho e encantamento. Foi assim que, numa tarde vento, Tempo VEIO e costurou em meu peito um labirinto de clorofila, terra e seda, todinho enfeitado de flores de Iroko. Quando me sentia estranha, gostava de passear pelos labirintos de meu peito. Sentava, tirava as pedrinhas da alma de dentro de uma trouxinha e começava a lavá-las ... Ficava me alembrando do começo do mundo, quando nasceu Iroko, a primeira árv...
::: Revista eletrônica Oralidade, Arte, Cosmopercepções, Educação e Africanidades