clamo meu canto pela memória de tantos que aqui chegaram e de quantos daqui jamais partiram por essas ladeiras que ecoam gritos perdidos gemidos tragados pavores vividos em nome do ouro n´além mar coroado no ventre anônimo de negras rainhas foi onde gerou-se a estranha fecundação mulheres, pelas paredes enfileiradas ouviam o riso de um caburé que a todas penetrava, sob o mando do capataz, cheirando a aguardente sem amor, sem cafuné enquanto que seus homens castrados engoliam seus soluços de escravizados e pelo túnel das minas sob o grito da xibata, caminhavam com seus pés descalços pelos gélidos tapetes minerais assim nasceram crianças que jamais crianças foram que pelas minas entravam cantando cantares de lavouro catando pedrinhas d´ouro clamo meu canto pela memória de cada gota do ferro que brota na água e no sangue que por essas paredes se escondem atrás de segredos da senz...
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