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A poética da Cabaça

olhar: não é ver . ouvir: não é escutar. ao passo que refinamos nossos sentidos, adentramos num mergulho sinestésico na natureza mais profunda das coisas do universo. Cabaça. Este nome (que em árabe - kara bassasa - quer dizer "abóbora lustrosa") designa uma das primeiras plantas a serem cultivadas no mundo, não apenas para uso alimentar, como para uso  doméstico, culinário e também espiritual.  À primeira vista u ma cabaça pode não te dizer nada. Mas para muitas cosmovisões afrikanas e indígenas, a cabaça tem significados reveladores e metafísicos sobre a própria existência humana. Na mitologia yorubana a cabaça está presente em Ytans de mais diversos orixás, sendo associado à Oduduá, às Ya Mis, a Obaluaê, a Nanã, a Orumilá, a Exu ... Aqui uma lenda yorubá chamada Igbadu (A Cabaça da Existência), belíssimo texto de Adilson de Oxalá: (...) Devo lembrar-te de que, se hoje és detentor do poder sobre os 16 destinos, deves a mim este privilégio, ou po...

Zambia Punga, por Alexandre Guimarães

E assim entre tantos mistérios, outro mistério. Uma festa de saudação aos espíritos dos ancestrais. uma festa com alegria, sons e cores, já que falar com os nossos ancestrais que já fizeram a passagem é linda maneira de chegar até os deuses. Segundo a história tradicional contada pelos mais idosos NGANGAS (mestres das tradições secretas do povo BAKONGO), todos os povos negros descenderiam diretamente de NZAMBI, o  Deus Supremo.  É na madrugada da festa dos mortos  que mascarados saem pelas ruas de nilo peçanha em seus folguedos. vão munidos de enxadas, búzios, cuícas, tambores e máscaras.    O  texto abaixo é de Alexandre Guimarães (especializando em História Regional pela Universidade do Estado da Bahia/UNEB-CAMPUS V e integrande do Grupo Folclórico Zambiapunga de Nilo Peçanha desde 1997.).   "É provável que o Zambiapunga do Baixo-Sul baiano era ou integrava um ritual religioso de uma parcela dos africanos escravizados. Para enten...