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Cantos de Kalunga #141116 . O Patxohã, Xumo + Shaka + Kristine

                    

Em um apartamento da Rua Peu de La Creu do mítico bairro do Raval, em Barcelona, conhecido por bairro Chino, por abrigar milhares e milhares de estrangeiros, nos encontramos quatro músicos vindos de diferentes partes do mundo para gravar um experimento sonoro transcultural.

O apartamento não era um apartamento qualquer. Era a base e laboratório de criações do músico Chumo, um músico da República de Camarões que vive há tempos na Espanha.

Também estavam uma flautista da Bulgária, chamada Hristina Stoycheva Stanoeva e um músico multi-instrumentista de Burkina Faso, o Shaka.

A maneira como Chumo conduzia o processo transformou uma simples gravação em um ritual. As palmas das mãos se tocavam, unindo terra e céu, dia e noite, vida e morte. 

Chumo nos propôs de que cada um dissesse uma palavra em uma língua de seu país. Para mim o português não é nossa língua mãe, então escolhi uma frase em patxohã, língua falada pelos Pataxós, do tronco lingüístico macro-jê, da mesma família das línguas Maxacali

"Por muitos anos a língua dos pataxós foi quase esquecida. Mas através de um estudo entre professores e lideranças pataxós na Bahia iniciaram um processo de revitalização da língua. Dos mais velhos foram resgatados palavras usadas no dia a dia e em músicas. Então, depois de muita pesquisa batizaram a língua de Patxohã, que quer dizer línguagem de guerreiro (atxohã é língua e Xôhã é guerreiro). Depois de realizado esse trabalho começaram os intercâmbios entre professores e comunidades de Bahia e Minas Gerais, para que a língua pataxó fosse revitalizada entre os povos que residem em outros estados.
Atualmente o patxohã é ensinado nas escolas pataxós para as crianças com a finalidade de manter viva a cultura através não só da língua, mas de todo um trabalho cultural realizado por professores indígenas, que atuam como agentes culturais." 

fonte:  https://pataxomg.wordpress.com/lingua/



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