ABC da Mandinga Por Déi Ferreira (Salvador da Bahia, Brasil) "Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista." Mestre Pastinha Aruandê, aruandê, Camarado Seja Iúna, Santa Maria Banguela, Cavalaria* No jogo fique ligado Mandinga né só bailado O berimbau quem governa No que é braço é perna No que é perna é braço As palmas dão o compasso Se é de irmão ou jogo à vera. B aixou em nosso tabuleiro Com acarajé e quiabada Da África escravizada Pra aqui receber tempero E um nome bem brasileiro Foi de capoeira batizada Essa ginga mandingada Que se hoje é conhecida Foi muito tempo proibida Dita marginalizada. C hegou nas veias naufragas Com os Bantos, Iorubá E outros, todos filhos d’Obá Co’as mesmas bocas amargas Bebendo espumas e algas Para no Brasil sangrar Como um grito pra lutar Contra a impossível corrente Mostrar a pele reluzente E no seu nariz governa...
::: Revista eletrônica Oralidade, Arte, Cosmopercepções, Educação e Africanidades