Mostrando postagens com marcador filosofia da libertação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia da libertação. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de outubro de 2017

Processos (Dingo Dingo) de Confecção de Instrumentos Musicais Ancestrais

Origem
.
Outro dia chegou aqui em casa um pastor daqui de Barra Grande, que também é #luthier de instrumentos musicais. Ele veio curioso, querendo conhecer meu trabalho. Falando sobre seu processo de criação, ele me disse que às vezes se deitava para conversar com Deus e bolar dentro de sua própria cabeça o instrumento, antes de concebê.lo no mundo físico. Como gosto das coisas ditas, eu também lhe expliquei sobre meu próprio processo, que passa por um caminho bem espiritual também, de conexão com a origem do instrumento e com o entorno cultural de onde ele foi criado. 
.
O pastor me ouvia em silêncio e, para minha surpresa, sempre encontrava alguma referência na Bíblia que justificava e amparava o que eu mesma estava dizendo.
.
Como minha grande paixão são os instrumentos tradicionais afrikanos, eu tenho que reverenciar a Áfrika em meus processos de criação. Outro dia mesmo, me peguei em transe, trançando mais um #xekere. Eu senti profundamente a alma da #cabaça. Ela ainda não estava cortada, então senti que, sempre que cortasse uma cabaça para fazer um instrumento, deveria agir como alguém que mata um animal para fazer uma oferenda espiritual.
.
Devo prestar atenção nestes detalhes porque nunca estive presencialmente na #Áfraka Bambara ou Mandengue, onde nasceu a Kora, o Ngoni, os xekeres ... nem ainda estive na Afraka bantu, terra dos arcos musicais afrakanos. Ou seja: eu nunca fui iniciada por um mestre ou uma mestra afrikana para poder trabalhar com estes instrumentos. Essa espécie de missão de realizar este tipo de trabalho chegou para mim através de sonhos. Então eu respeito e honro. Porque, mesmo que isso não seja racionalmente explicado, através dos sonhos os espíritos ancestrais podem se manifestar em nossas vidas se estamos alinhados com nosso próprio caminho.
.
Um outro outro dia, conversava com um mestre da arte da luthieria, justamente sobre fazer um instrumento sem conhecer sua cultura na raíz (ou seja, sem nunca haver estado em sua terra natal, no seu entorno original, sem nunca ter tocado com as mãos as ferramentas tradicionais usadas para sua confecção, nem sentido o cheiro da matéria prima normalmente usada ...). Sim, eu lhe comentava como vinha percebendo que um instrumento musical não nasce falando, assim como nós .... vamos tocando cordas, teclas, fazendo ajustes, reajustes, fazendo vibrar a caixa de ressonância, timidamente tirando um som ... e pouco a pouco o canto do instrumento passa a ecoar harmoniozo pela natureza..... num processo dingo.dingo de construção que não termina quando o trabalho mecânico termina. Porque não se trata apenas de uma materialidade mecânica. Se trata de uma organicidade conectada com densa espiritualidade.
.
Assim, me vêm à cabeça o cuidado que devemos ter com estes novos movimentos de criação, que surgem tendo como suporte de referência esta Kalunga pós moderna: Digital, como a Internet, onde navegamos através das ondas do WIFI, convidados a nos emanciparmos dos caminhos tradicionais de aprendizado dos saberes tradicionais com mestres e mestras da tradição. Assim, cada vez mais somos encorajados a aprender técnicas e tecnologias ancestrais através de meios digitais e tecnológicos contemporâneos, nos distanciando de sua raíz ancestral numa hipotética linha do tempo.
.
Sim, cá estou no Brasil, do outro lado do transatlântico, com a mirada voltada para as terras de onde se originaram estes belos instrumentos musicais que me cercam por todas as partes aqui em casa.
.
Me lembrando do tempo em que levas e levas de afrikanos chegaram nas Américas quase sem roupa, sem ferramentas, apenas trazendo dentro de si as sementes dos ritmos, da concepção e execução dos instrumentos... Aqui me vem o pensamento de que somos herdeiros deste caminho de criação. Distanciados na origem, mas sempre tendo que voltar os olhos e os coraçōes para esta mesma origem, a fim de nos conectarmos com estes saberes, ainda que não da maneira natural e orgânica como acontece com uma pessoa que lá está, dentro desta comunidade original.... Transcendendo a imposição das novas formas da criação contemporânea, nunca se esquecendo da importância desta busca pelos ensinamentos do passado. Que talvez encontremos mais facilmente nos sentando embaixo de uma grande árvore, ouvindo o vento ou sentindo as ondas do mar, do que assistindo dez mil horas de video aula, na internet.....
.
Um instrumento é também um símbolo, podendo ser uma representação físico-sonora de uma cosmovisão de mundo. Em geral, um instrumento musical faz parte da essência de um povo, de sua espiritualidade e também de aspectos fundamentais de seu cotidiano. Muitas das vezes estes instrumentos musicais ancestrais têm função mágica e abrem pontes entre o mundo dos vivos e dos ancestrais. 



confeccionar um instrumento ancestral me conecta com sua origem
.
Em várias sociedades originárias (na Afrika Bakongo, por exemplo), uma comunidade é formada pelos vivos e pelos ancestrais. Nos momentos de grande tensão ou de resolver algum problema na tribo, os ancestrais serão acessados, porque fazem parte da sociedade, tanto quanto as pessoas vivas, na condição da atemporalidade. E a vibração dos instrumentos musicais fazem esta conexão, servem de meio, de ponte, entre o mundo físico e o mundo imaterial. 
.
Um atabaque faz os pés de um nkise encarnado dançar, assim como as cordas vibrantes de um ngoni podem materializar a opinião de um ancestral sobre uma desavença na comunidade. 
.
Assim, que aqui ainda estou, buscando compreender o que fazer para tecer esta rede de fios, ossos e histórias de maré. Encontros entre o presente em busca deste lugar.devir ancestral. Vida, Morte Vida. Sei que nunca conseguirei escrever sozinha esta história e a cada passo pelos ciclos desta mandala da existência, esta parece ser a grande mensagem que se manifesta. 
.
Sei que preciso, cada vez mais, fazer uma viagem real à Afraka, a fim de amparar estas pesquisas e criaçōes, revisitando sua fonte primordial original.
Pouco a pouco vou abrindo meus sentidos e minhas percepçōes ultra-sensoriais para ouvir esse sopro dos ensinamentos dos ancestrais para pisar neste solo sagrado que é o lugar da criação, que pressupōe caminhar por sendas invisíveis entre estes mundos sagrados.
.
.
Mo Maiê, Barra Grande de Itaparica, outubro de 2017

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

V Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação e II Encontro Internacional de Filosofia Afrikana

Aqui está a programação completa do congresso, que foi realizado em setembro de 2017, no Kilombo Tenonde, região de Bonfim, Valença, baixo sul da Bahia.


19/09/2017 - PRIMEIRO DIA
6h – 8h - Treino de Capoeira Angola (Mestre Cobra Mansa)
8h – 9h - CAFÉ DA MANHÃ
9h – 9h30 - MESA DE ABERTURA

09:30- 10:00 - Apresentação cultural
11:00 - 12h  -  Chegança com Mayanga - Mãe Bárbara
13h-14h30 - ALMOÇO


14h30  até 16h00 – Conferência de Abertura: Prof. Dr. Severino Ngoenha


18h - 19h30 - JANTAR
20h - 21h - MESA . Movimentos Sociais Populares . Profa. Dra. Anita Canavarro, Profa. Dra. Marcilene Garcia e Profa. Florita Telo
21h - Apresentação Artística:  EstáNaMira (Sílvia Rodrigues) 

Festival de Culturas 

20/09/2015 - SEGUNDO DIA
   6h – 8h - Treino de Capoeira Angola
8h – 9h - CAFÉ DA MANHÃ
                                                                                                    
9h – 11h - Oficinas

EIXO 2 -  Filosofia Africana
Título - TRAVESSIAS EPISTEMOLÓGICAS: NARRATIVAS FILOSÓFICAS DE ÁFRICA
Proponente: Luís Thiago Freire Dantas
Título - RODA BANTU
Proponente: Mô Maiê
EIXO 3 - Movimentos Sociais Populares
Título -PROSAS LITERÁRIAS: TECENDO MOVIMENTOS DE RESISTÊNCIAS
Proponente: Andreia Barbosa dos Santos, Íria Vanucci Barbosa da Silva e Janiele dos Santos Pereira
EIXO 4 - Interculturalidade
Título BRINCADEIRAS DANÇADAS
Proponentes:Vívian Parreira da Silva
Pedro Henrique de Oliveira Zanette
Juliana Cristina de Souza Santos


11h – 13h - Minicursos

EIXO 1 -  Filosofia da Libertação
Título A TAREFA DA FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO NO BRASIL: POR UMA FILOSOFIA DA INSURGÊNCIA
Proponentes: Daniel Pansarelli, Suze Piza e Hugo Allan Matos
EIXO 2 -  Filosofia Africana
Título PERSPECTIVAS UBUNTU SOBRE A FORMAÇÃO
Proponente: Wanderson Flor
EIXO 3 - Movimentos Sociais Populares
Título DINÁMICA CAPITALISTA Y DESCAMPESINIZACIÓN EN SANTIAGO DEL ESTERO
“LA HISTORIA RECIENTE DEL MOVIMIENTO CAMPESINO DE SANTIAGO DEL ESTERO – VÍA CAMPESINA”
Proponente: María Lilia Macedo
Título PERÍODO ROTATIVO: A APOSTA DO TERRITÓRIO POPULAR PARA UMA EDUCAÇÃO INTERCULTURAL
Proponente: Vanessa Porciúncula
EIXO 5 –Decolonialidade
Título COLONIALIDADE DO ENSINO DE FILOSOFIA: PROBLEMAS HISTORIOGRÁFICOS
Proponente: Rodrigo Marcos de Jesus
21/09/2017 - TERCEIRO DIA
​9h – 11h - Oficinas
EIXO 1 -  Filosofia da Libertação
Título - MÁTRIA
Proponente: Ana Júlia Bustos

EIXO 2 -  Filosofia Africana
Título - ESTÉTICA DA LIBERTAÇÃO:
DERIVA, TRAVESSIA E OUTROS ITINERÁRIOS
Proponente: Eduardo Oliveira e Luis Ferreira
EIXO 4 –Decolonialidade
Título MULHERES FILÓSOFAS: DESCOLONIZAÇÃO, GÊNERO E ENSINO DE FILOSOFIA
Proponente: Joana Tolentino

11h – 13h - Minicursos
EIXO 2 -  Filosofia Africana
Título COSMOGRAMA BANTU
Proponentes: Sergio e M. Cobra Mansa
EIXO 3 - Movimentos Sociais Populares
Título - PARA SUPERAR A ALIENAÇÃO: PERSPECTIVA DE CONSTRUÇÃO DO PROJETO RAIOS DE SOL NA BAHIA E NORDESTE BRASILEIRO
Proponente: Teresa Regina dos Santos Mattos
EIXO 4 - Interculturalidade 
Título AUSÊNCIA DE BEATRIZ NASCIMENTO NA CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE QUILOMBO
Proponente: Professora Ms. Leonor Araujo 
EIXO 5 –Decolonialidade
Título MULHERES FILÓSOFAS E A DESCOLONIZAÇÃO DO PENSAMENTO
Proponentes: Ineildes Calheiro, Rejane Matos, Zaylin Leydi Powell
 
11h – 13h - Minicursos

13h-14h30 - ALMOÇO
14h30 – 17h:30- Comunicações

EIXO 1 -  Filosofia da Libertação
         Minicurso
FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO: PERSPECTIVAS DO BRASIL
(Daniel Pansarelli)
EIXO 2 -  Filosofia Africana
        Oficina
PERSPECTIVAS UBUNTU SOBRE A FORMAÇÃO
(Wanderson Flor do Nascimento)
EIXO 4 - Interculturalidade
    Com. Oral
 NOTAS DE UM DIÁLOGO INTERCULTURAL:
AS (DES)ORIENTAÇÕES ENTRE UM INDÍGENA E UM NÃO INDÍGENA
       
  (Profª Drª Magali Menezes e Dorvalino Rafej)
    EIXO 2 -  Filosofia Africana

       
      Minicurso
 TRAVESSIAS EPISTEMOLÓGICAS: NARRATIVAS FILOSÓFICAS DE ÁFRICA 
(Luis Thiago Dantas)
20h - 21h - MESA


Filosofia da Libertação (Filosofia Latino Americana)

Profa. Dra. Dina Picotti

Prof. Dra. Neusa Vaz 

Prof. Carlos Cúllen​



21h - Festival de Culturas
21/09/2017 - TERCEIRO DIA
6h – 8h - Treino de Capoeira Angola
8h – 9h - CAFÉ DA MANHÃ
9h – 11h - Oficinas 

11h – 13h - Minicursos 
13h-14h30 - ALMOÇO
14h30 – 17h:30- Comunicaçōes
18h - 19:30h - JANTAR

20h - 21h - MESA Filosofia Africana . Prof. Dr. Jose Castino e Profa. Thula Pires