Postagens

Mostrando postagens com o rótulo escravidão nas minas gerais

bateia do ouro negro

Imagem
clamo meu canto pela memória
de tantos que aqui chegaram 
e de quantos daqui jamais partiram

por essas ladeiras que ecoam 
gritos perdidos 
gemidos tragados 
pavores vividos
em nome do ouro
n´além mar coroado

no ventre anônimo 
de negras pardas mulatas
foi onde gerou-se a estranha fecundação
mulheres, pelas paredes enfileiradas
ouviam o riso de um caburé
que a todas penetrava, 
sob o mando do capataz,
cheirando a aguardente
sem amor, sem cafuné

enquanto que seus homens castrados
engoliam seus soluços de escravos
e pelo túnel das minas
sob o mando da xibata, 
caminhavam com seus pés descalços
pelos gélidos tapetes minerais

assim
nasceram crianças 
que jamais crianças foram
que pelas minas entravam 
cantando cantares de lavouro
catando pedrinhas d´ouro

clamo meu canto pela memória
de cada gota do ferro
que brota na água e no sangue
que por essas paredes se escondem
atrás de segredos da senzala,

banzo de distantes nações

dedico esse poema a Juliana Pereira, que me levou à Mina Santa Rita, no Alto da Cruz de Ouro Preto e me…