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Árvore da Memória: Doudou Rose "Griô não é sangue, é osso"

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Estamos em Salvador da Bahia com o senegalês Doudou Rose, mestre Griô que vai partilhar um pouco de suas estórias conosco … é um pouco porque ele tem tantas estórias que não caberiam dentro de um livro só!

Doudou: Boa tarde, Mame Diarra … é verdade … eu tenho uma estória muito grande que não cabe mesmo num livro … uma estória muito grande por parte de meu pai. Eu sou neto de Sengh Sengh … O Que é Sengh Sengh? Sengh Sengh Faye é primeiro Griô de Dakar, no Senegal. Nasci numa família muito grande, uma família de Griô … Griôs são os contadores de historias de Africa … Se não era o Griô ninguém sabe o que é Africa. 
Nasceu minha família pra contar o que é Africa, o que é minha terra, o que é Senegal … Tô aqui no Brasil pra representar Senegal e a cultura africana, a cultura de Griô. 
Tem doze anos que trabalho aqui com a Escola Municipal através de Historia de Africa e história de percussão, porque sou percussionista. 
Na minha terra nós tocamos percussão não só pra brincadeira porque africa…

4º AYÓ – Encontro Negro de Contação de Histórias - Edição Minas Gerais

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Ayó

Ayó é palavra yorubá que significa "Felicidade, Exaltação". Foi esta a palavra encantada escolhida para dar nome ao "Encontro Negro de Contação de Histórias", que chega em setembro a Minas Gerais, com a força do grito ancestral que já não pode calar-se!

Um ritual negro de contação de histórias,um festival independente que celebra a tradição oral africana e afro-diaspórica, nascido da urgência de viver-experienciar o resgate de causos, memórias, da necessidade da fala negra na construção e na vivência afro-brasileiras, ofertando a crianças, jovens e velhos histórias negras, que tragam referências pretas e demonstrem a realeza que a África coroou o Brasil. "Um encontro onde se reafirma a importância de uma reunião da nossa oralidade, do resgate dos ensinamentos das velhas tias jongueiras, do samba, do côco, rainhas Iyás. O que a gente busca é a valorização e visibilidade dos dizeres de antigos malandros, capoeiras, feiticeiros que aqui depositaram toda a hera…

Árvore da Memória: Joás Santos e o sonho Fankani

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Estamos nesta cidade linda que é Olinda, com o Joás Santos, que vai nos falar um pouco sobre sua história com o universo musical africano  ...

Joás: Eu comecei tocando afrobrasileiro, capoeira, samba, na comunidade onde morava. Depois me apaixonei pela música da Bahia, o samba reggae, eu já gostava de reggae, e toquei samba reggae durante dez anos .... Até decidir morar em Olinda, pra estudar o côco, o maracatu, ciranda, essas coisas nossas ... Aqui a cultura popular é muito rica! E aí acabei fazendo um ano de aula no Axe Ribeiro.

Depois de um ano ele precisou viajar, e me deixou dando aula no lugar dele... e aí foi onde eu conheci várias pessoas do mundo, comecei a fazer essa troca também, de ensinar coisa de Pernambuco e aprender música de outras lugares do mundo. 

Aí eu me apaixonei pela música da Áfrika ... djambe! eu já gostava de timbal, atabaque, instrumentos que se toca com a mão ... mas o djambê ... quando eu pude tocar pela primeira vez, eu senti que tinha uma magia especial, q…

Já está no ar o podcast do primeiro programa Djalô Música Nômade

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O colapso. O Kaos. A Violência. A Contradição Da Palavra Griô

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É ...

Talvez eu seja mesmo encarnação de contradições ... 
É o que muitas vezes sinto.
Sou a encarnação da contradição ...
Vivo num mundo contraditório, num país estruturalmente contraditório ... 
Vivo dentro dum sistema opressor e contraditório. 
Me expresso duma maneira contraditória ... se é linguagem falada ou se é linguagem escrita. 
A linguagem me paralisa num círculo vicioso e limitado, sem o sabor libertário e expansivo do espiral. 
A língua me atrapa, não me deixa alcançar uma plenitude de comunicação. 
A linguagem não me deixa me comunicar. 
Não consigo expressar com linguagem estruturada o que sinto. 
A língua limita meu pensamento. A palavra . A palavra estupra meu pensamento. É assim que me sinto. Como uma mulher estuprada. 
O outro não consegue entender o que eu quero dizer. Uma palavra mal dita e pronto - Lá evém pedrada.
"A Kalunga é Violenta". Foi o que me disse um amigo.
Assim, ao mesmo tempo que sinto que não consigo me expressar como quero através da palavra, sinto nec…