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Mestre Môa do Katendê e as Represas do Tempo

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O povo bakongo diz que onde não há mambu (dúvidas, conflitos, problemas) o tempo não está se movendo: assim como não existe moyo (vida). 
Apenas quando os fatos (dunga) acontecem, as “coisas” se movem e o caminho da linha do tempo torna-se clara. 
Mataram Mestre Môa do Katendê!!! Mande tocar Iúna, na boca da mata, que hoje o céu e a terra choram, a Bahia e todos nós choramos, Chora o couro, a cabaça, chora o agogô!
Mataram a mim, mataram você. Mataram nossos avós. Mataram nossos vizinhos. Mataram até a moça que vende pipoca no Jardim. 
Estão nos matando a cada dia. Mulheres, Pretas, Pretos, Homossexuais, Travestis, Idosos, Pobres, Analfabetos, Crianças ... 
E ninguém se atreve a chamar de guerra o que estamos vivendo. 
Enquanto isso, a faca cortou a pele macia do mestre. E foram doze!!! As facadas pelas costas. Coisa de capitão do mato, ecos coloniais que se estendem em nossas vidas até os dias de hoje. 
O Tempo .... 
Era dia de eleição. No Brasil. E era dia da festa de Nossa Senhora do Rosár…

Luvemba e a Ancestralidade

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Hoje é dia primeiro de janeiro de 2018. O último dia de Kwanzaa, quando se celebra Imani. Fé. Honrar os ancestrais, as tradições e os líderes africanos do passado sobre as adversidades do presente. 
Hoje reverencio e honro a este ancestral chamado Bunseki Fu-Kiau, que tem me ensinado outra maneira de perceber e viver o mundo, através de seus escritos, que revelam os fundamentos filosóficos do povo Bakongo. 
Há dois anos minha família vem passando por contínuos ciclosde morte. Para mim o fato mais marcante que vivi neste último ano foi estar de mãos dadas com minha Avó no exato momento em que ela fez sua passagem para as terras de Mpemba Kalunga, as raízes da grande árvore, a terra dos ncestrais.
Devo cá dizer que essa caminhada de aprofundamento nas bases da Filosofia Bakongo tem me ajudado a lidar com estas experiências de morte de uma maneira profunda e transformadora. Vou com estes ensinamentos desprendendo-me das mazelas do pensamento cartesiano cristão que fui obrigada a engolir na …

Fela, O Conto Do Vento

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A Noite Acabava De Parir O Dia. 
E Tudo Se Repetiria Mais Uma Vez, 
No Amanhecer.
Uma mulher deu um longo gritode prazer e dor, 
deixando escapar de suas mãos uma revoada de pássaros ...  

- Nasceu Sol Vivo … gemeu a Mãe - Nasceu Minino  ...  
Era outono e na Maloca de chão batido, 
Caiu guerreiro nos braços da Tia.  .
.
(vai pra guerra  - sussurrou)
Tia foi, pegou, cortou o cordão e tomou a placenta. 
Enterrou tudo ali mesmo, debaixo do chão. 
Como ventava muito, ele ganhou o nome Fela. 
Como quem surge da Ventania. 
- Da vida, meu filho? Queremos Boi … 
A Mãe Ia falando e sentindo o Vento Arrodear sua saia.
- Pedimos Chuva pros bois Sobreviver … 
... (E o Vento Vinha) …. 
     Pedimos Chuva Pra molhar a Terra …  
... (E o Vento Ia) ... 
     Acendemos o Fogo 
Tocamos e Dançamos 
... (para trazer Alegria pro Tempo ) ... .
. E Quando a Noite vem pra Parir O Dia, 
Tudo Se Repete Mais Uma Vez 

No Amanhecer 
Da vida

O que queremos, 
meu filho,
são Bois ...


Filho?  . .
.
. Desde novo que ele se preocupava 
Com seu pai e sua M…