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Mostrando postagens com o rótulo mariana

Roda Bakongo no Festeco

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pela libertação da mentalidade escravocrata e colonizada do povo brasileiro ... é preciso reconectar-se com raízes talhadas e interrompidas, com ancestralidade que conecta passado, presente e futuro e por isso é algo que se constrói no aki e no agora, no movimento. É preciso respeitar a sagrada natureza que habita no mundo e em nós mesmos ... Das palavras de Fu Ki.Au: "O mundo natural é o mais seguro e rico laboratório da raça humana. É um laboratório sem paredes, que os Bântu continuam a descobrir desde a sua mais tenra idade. O processo fundamental de aprendizagem para os jovens Bântu tem lugar dentro desses laboratórios sem paredes. As pessoas andam dentro deles silenciosamente, por causa da sua sacralidade, e elas ficam de pé ali assim como diante de monumentos. O homem do remédio (ngânga), curador da comunidade, gasta maior parte do seu tempo dentro desse templos vivos, bibliotecas e laboratórios para “estudar” e coletar o remédio da comunidade. Para cada remédi…

Festival Movimenta Rosário dos Pretos

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A cidade de Mariana é uma das cidades brasileiras com maior índice de cidadãos autodeclarados negros no Brasil. Se a cidade é essencialmente negra, o bairro do Rosário representa um dos pontos de maior convergência de suas riquezas e raízes histórico-culturais ligadas às manifestações afro-brasileiras e, em especial, afro-mineiras. Com uma vista privilegiada da cidade, o Rosário é morada de diversos artistas plásticos, músicos e integrantes de grupos culturais e religiosos, que trazem consigo sabedorias ancestrais ligadas à resistência negra e a culturas de matriz africana na cidade de Mariana e região, bem como símbolos históricos deste universo, como é o caso da Igreja do Rosário. Dentro deste panorama nasce o “Movimenta Rosário dos Pretos”, uma iniciativa coletiva, sem fins lucrativos, gerada a partir do encontro entre moradores e admiradores do bairro, artistas, estudantes, participantes de movimentos culturais e étnico-raciais de Mariana e da região, tendo como principal objetiv…

II Sonora Inconfidentes

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Superado o dilema de criar um evento essencialmente feminino, a primeira edição do Sonora ­ Ciclo Internacional de Compositoras provou que há mais mulheres compositoras, artistas, profissionais da cultura do que se pode imaginar. Engajadas com o único propósito de dar visibilidade à presença da mulher na cena musical, a edição de 2016 superou as expectativas e deu origem à uma rede de trabalho, na qual mais de 200 compositoras tiveram a oportunidade de apresentar suas criações, firmarem novas parcerias e conexões de trabalho. A primeira edição promoveu dezenas de shows espalhados por 21 cidades em 6 países; e em 2017 o evento ocorrerá no mês de setembro e multiplicará a quantidade de mulheres participantes.
Em 2017, a 2ª Edição do Festival acontecerá durante o mês de setembro, em 15 países e 68 cidades na América Latina, África, América do Norte e Europa. Sonora é um movimento que trabalha para que mulheres no mundo inteiro apresentem com confiança seus sentimentos e opiniões através d…

Como é que eu faço pra aprender a música da sua terra?

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Uma vez, andava por uma cidadezinha perdida do Marrocos, em uma região de montanhas conhecida como Atlas. Visitava a família de um amigo, um músico marroquino. Ansiosa, perguntei-lhe sobre a melhor maneira de aprender a música daquela terra – tão exótica, tão inatingível. Com seu olhar tranquilo, me pediu pra sentir o cheiro das espécies no bazar, ouvir o sotaque do vendedor de chá, perceber as cores das roupas das pessoas ao meu redor, o gosto da comida... Ensinou-me que a música e a musicalidade de um povo se aprendem conhecendo os costumes desse povo, suas crenças, paixões,  sua culinária, sua história. Depois de alguns anos viajando pelo mundo, voltei para o Brasil para re-conhecer meu país. Voltei para a barroca cidade de Mariana, em Minas Gerais, para me re-conhecer, me re-conectar com minhas próprias origens e raízes. Voltei para aprender sobre a música de minha própria terra.
Com uma amiga italiana chamada Anna Stopanni, resolvemos, então, realizar um documentário que plasmasse …

Maestro Gegê, para o Museu da Pessoa

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Essa entrevista foi realizada em 2002 pelo Museu da Pessoa, com o meu avô materno, Maestro Gegê Elias. Um pouco de minhas origens musicais. Sempre via meu avô absorvido pela música, escrevendo partituras, ouvindo jazz sozinho na sala de sua casa. Quando era criança, ele foi para o Pará nos visitar, levando seu pequeno teclado e montou uma banda em  dois meses. Era uma pessoa amada e querida por todos da cidade. Ainda hoje me encontro com músicos já crescidos que me contam um pouco de sua história. Infelizmente eu nunca assisti a nenhuma de suas aulas. Sentia que ele botava mais fé nos netos homens serem músicos. Talvez isso seja somente uma impressão de minha parte. Ele tinha muitos instrumentos em sua casa. Eu ficava sempre namorando os instrumentos e um dia tomei coragem e lhe pedi que me desse uma flauta transversal. Ele me disse que eu tinha que aprender a ler partitura, então me daria a flauta. Aprendi na correria a ler a altura das notas e ele me deu a flauta, um livro xerocado …