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Mostrando postagens com o rótulo kora

Árvore da Memória: A Moussolu Senny Camará

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Na mítica Mbour, a maior cidade pesqueira do Senegal, estivemos aos pés de uma Baobá ouvindo as estórias de Senny Camará - uma Moussolu (Mulher Forte) … 



Eu me chamo Senny Camará. Eu nasci em Dakar mas cresci num pequeno povoado com minha avó.
Em casa, somos 8 filhos mas sou a única que toca música. 
E amo a música! Eu toco a música tradicional mandengue. Eu não sei o que me fez me apaixonar pela Kora, mas amo este instrumento que vem da Casamance, da Gambia, da Guiné e do Mali!
Já faz mais de dez anos que estou aprendendo a tocar a Kora.
No início eu tinha uma Kora tradicional, mas quando fui morar na Europa não era fácil afinar a Korapara tocar com outros músicos e instrumentos, então eu modifiquei a Kora e lhe transformei numa Kora moderna, pela facilidade de me permitir trabalhar. 
Eu moro na França mas todos os anos eu venho ao Senegal, porque realmente preciso disto! 
Quando me mudei do Senegal, no começo não foi nada fácil. Era a primeira vez que saía da Áfrika e realmente percebia mu…

a terceira corda

"quando você estava no ventre de sua mãe foi escrito por deus que um dia você viria aqui", me diz o bayafall . somos conectados por um fio invisível a todas as pessoas e lugares que um dia vamos nos encontrar e conhecer na vida ... se nos abrimos para ouvir os sonhos, vamos nos dar conta dos segredos que conectam o mundo visível (#nseke) e o mundo invisível (#mpemba) ... a terceira corda ressoa nos levando de volta ao útero, sonoridades das águas salgadas dos mares ... o primeiro som que ouvimos no ventre de nossa mãe é como a música que vem do mar ... água mãe do movimento vibrante e incessante que nunca para, nem para descansar ... água e sua essencia feminina me ensina a esperar ... me ensina a receber ...

Já está no ar o podcast do primeiro programa Djalô Música Nômade

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Kandia Kouyate, Jelimuso: A música é a arma do futuro

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Nascida na cidade de Kita, a oeste do Mali, em 1959, Kandia Kouyaté é uma mulher que nos inspira.
Ela é uma Jelimuso, uma mulher griô. Ela é uma Kora Folá, uma tocadora de Kora. 
Kandia Kouyaté pertence a uma família muito antiga de griots, os Kouyate, descendentes de Bala Fasseke Kouyaté, considerado um dos primeiros griôs Mandingo.
Kita Kan é uma expressão Malinké que significa Voz de Kita. Ela é uma das maiores cantoras do Mali, reverenciada em toda a África Ocidental.
Kandia Kouyate nasceu pouco antes da independência do Mali. Seu pai era um brilhante tocador de balafone e pensando no futuro de sua filha, enviou-a para uma escola de missionários católicos, onde ela estudou até o 8º ano. 
Paralelamente à escola, ela ia desenvolvendo seus talentos como JELIMUSO (griô), aprendendo as técnicas de sua mãe, seu pai e seu tio. 
A doença do pai obrigou-a a deixar a escola e dedicar-se, desde cedo, à música para sustentar sua família. 
Ela foi para Bamako para se juntar a um dos grupos mais popul…

Processos (Dingo Dingo) de Confecção de Instrumentos Musicais Ancestrais

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. Outro dia chegou aqui em casa um pastor daqui de Barra Grande, que também é #luthier de instrumentos musicais. Ele veio curioso, querendo conhecer meu trabalho. Falando sobre seu processo de criação, ele me disse que às vezes se deitava para conversar com Deus e bolar dentro de sua própria cabeça o instrumento, antes de concebê.lo no mundo físico. Como gosto das coisas ditas, eu também lhe expliquei sobre meu próprio processo, que passa por um caminho bem espiritual também, de conexão com a origem do instrumento e com o entorno cultural de onde ele foi criado.  . O pastor me ouvia em silêncio e, para minha surpresa, sempre encontrava alguma referência na Bíblia que justificava e amparava o que eu mesma estava dizendo. . Como minha grande paixão são os instrumentos tradicionais afrikanos, eu tenho que reverenciar a Áfrika em meus processos de criação. Outro dia mesmo, me peguei em transe, trançando mais um #xekere. Eu senti profundamente a alma da #cabaça. Ela ainda não estava cortada, en…

portas da memória. assim nasce uma kora brasileira. fela kala kora

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Toda diáspora é a passagem de um mundo de unidade para multilicidade. É isso o que é importante em todos os movimentos do mundo. é o que diz Edouard Glissant
.  Sete cordas curam o passado.
Sete cordas harmonizam o presente. 
Sete cordas protegem o futuro.
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A cabaça é a terra.
A pele, os animais.
As cordas, as plantas e árvores.
O aro do metal, a magia.
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Pelo que se tem notícia, a Kora nasce na Afrika Ocidental Mandengue Malinké. É um instrumento sagrado em territórios africanos, envolto por uma aura de magia e espiritualidade. Está ligada à sabedoria divina e, ao mesmo tempo, conecta o céu com a terra, com o cotidiano e a continuidade da vida tribal, por ser suporte sonoro espiritual dos rituais de canto e contação de histórias dos Djelis ou griôs, como chamamos por aqui no Brasil. 
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A Kora, com sua beleza e delicadeza abrange e perpassa diversos aspectos da sociedade tribal malinké, como: Educação, Saúde, Cultura, Ancestralidade, História, Preservação, Continuidade, Filosofia, Justiça.
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Cont…

como nasce um griô

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só que sei que é o vento que traz. as mudanças e transformações. as sementes de outros tempos. as melodias dos velhos griôs. só sei que comigo foi assim. sonhos me davam a visão da kora. mas a kora vinha do outro lado do mundo, do outro lado do mar. do outro lado da kalunga. e aqui estava eu, do outro lado. então, tudo começou a mover-se quando eu voltei a me mover. desde minha gravidez, há quatro anos atrás, que estava mais na terra, nutrindo minha filha, com todo amor... ela já forte, os caminhos se abriram novamente para nossos passos. e foi caminhando que chegamos à casa de Mauro Calandra, um luthier que vive no coração do Capão, terra baiana de arte e cura. justamente no dia em que ele construía uma Kora. e foi Mauro quem abriu os caminhos e pude ver perante os olhos o nascimento do instrumento griô, aqui em terras brasileiras. e está aí a magia do Brasil: aqui em nossa terra todas as nações de reinventam!  então, se na áfrica é preciso nascer de uma família de griôs para se tornar um…

Um Conto Griô . A Kora

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Chove em salvador, chove há dias, sem parar... a chuva de fora já entra dentro. estamos aqui, dentro dessa louca babilônia. e aí me pergunto: o que faço aqui, dentre tantos lugares no mundo onde poderia estar, por que logo aqui, bem no centro da espiral babilônica?
porque aqui encontrei mestres e com tais mestres devo aprender algo antes de seguir caminho. babilônia pede por novas sementes, sementes de arte e amor, babilônia pede por carinho, e é aqui que se fortalece o interior do espírito, para que da terra que treme, da terra macia, da terra dos loucos, maltrapilhos, dos travestis, terra de infâmia, malandros, leprosos, dessa terra tão cansada, tão histórica, tão prostituída, possa fluir harmonia e equilíbrio.
então me lembrei do conto do griot e sua kora, que sempre nos serve para acalentar em momentos assim, com pouca luz...
"um caçador e seu cão procuravam algo para comer no meio da floresta quando se deparam com uma grande árvore. Forte, alta e de tronco muito largo. E ao pé …