a revolta dos malês
Diz-se que, para o muçulmano, Deus se revela pelas letras. É também através de sinais gráficos — unidos em palavras em português, inglês e sinais árabes desenhados com esmero — que estudiosos têm se debruçado recentemente sobre a Revolução dos Malês. O movimento de negros muçulmanos em Salvador, que completa 180 anos no próximo dia 25, pretendia impor a libertação dos escravos e tomar o poder local. Liderado por homens que se distinguiam dos demais escravos por motivos religiosos e consequente domínio da escrita e da leitura, ficou registrado também em documentos escritos pelos próprios malês, expressão derivada de imalê, que, na língua iorubá, significa muçulmano. Livros, amuletos e pequenos pedaços de papel que continham palavras escritas em árabe foram apreendidos com os revoltosos. As palavras escolhidas pelos jornais da época para descrever o levante, analisa Fernando Resende, professor de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF), reiteravam estereótipos em torno …