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Mostrando postagens com o rótulo griô

A magica geometria sagrada dos Chokwe

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Um dia o Sol foi visitar Deus. Deus deu ao Sol uma galinha e disse: "Volte pela manhã antes de partir". 
De manhã, o frango cantou e acordou o sol. Quando o Sol foi para Deus, Deus disse: "Você não comeu o frango que eu lhe dei para o jantar. Você pode ficar com o frango, mas voltar aqui todos os dias." É por isso que o Sol circula a terra e sobe todas as manhãs.
A Lua também foi visitar Deus e recebeu uma galinha. De manhã, o frango cantou e acordou a lua. Mais uma vez, Deus disse: "Você não comeu o frango que eu lhe dei para o jantar. Você pode ficar com o frango, mas voltar aqui a cada vinte e oito dias". É por isso que o ciclo da Lua dura vinte e oito dias.
O humano também foi visitar Deus e recebeu uma galinha. Mas o humano estava com fome depois de uma longa jornada e comeu parte do frango para o jantar. Na manhã seguinte, o Sol já estava alto no céu quando o humano acordou, comeu o resto do frango e correu para ver Deus. Deus disse: "Eu não ouvi …

Árvore da Memória: Elaine Una

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Estamos aqui nessa terra sagrada que é Pernambuco, debaixo de um tamarineiro centenário e estou muito feliz, ao lado de uma mulher muito especial, que vai partilhar com a gente um pouco de suas histórias!



Meu nome é Elaine Una, na verdade meu nome é Elaine Gomes, mas essa coisa do Una veio já dessa busca destas memórias dessa minha relação indígena brasileira ... Eu fui conversando com as pessoas da minha família para tentar entender de onde a gente vinha, porque minha avó fenotipicamente era indígena e essa memória se perdia na minha família e as pessoas não conversavam sobre essa grande diferença que existia entre as feições e os traços dela e do meu avô, que já tinha o fenótipos de branco, português… E as pessoas tratavam com muita naturalidade, chegando até a mim essa mistura eu fiquei interessada em saber … E aí conversando com algumas pessoas da minha família, me diziam "A gente veio de tal região… sua avó veio de tal lugar, sua bisa…." e foi adentrando em Pernambuco, p…

Árvore da Memória: Mestra Tina: Guardiã da Cultura Popular da Paraíba

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Mestra Tina da Paraíba nos fala um pouco sobre sua vida e seus caminhos na Cultura Popular Nordestina
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. Mestra Tina: Meu nome é Jocilene Cunha. As pessoas me conhecem por Tina. Tenho 39 anos de idade e faço parte da Capoeira Angola Comunidade, sou aluna de Mestre Naldinho desde 1996, lá em João Pessoa, na Paraíba. 

Já tenho 21 anos na prática, nessa vivência dentro do grupo. E não só faço parte da capoeira, mas também do outro lado da cultura popular de raíz, onde faço parte de um grupo chamado "Cavalo Marinho Infantil Sementes do Mestre João do Boi". 


Antes não tinha este nome "sementes". Foi colocado depois da morte do meu Mestre, que é o João Antônio do Nascimento Pereira, também conhecido como João do Boi. O cavalo marinho infantil de lá tem uma resistência e existe desde 1968 nessa base e após o falecimento do meu mestre, eu tô dando continuidade ao brinquedo, a pedido dele. Ele pediu pra não deixar a brincadeira acabar e hoje eu tô na responsabilidade de manter …

A poética da Cabaça

olhar: não é ver . ouvir: não é escutar.
ao passo que refinamos nossos sentidos, adentramos num mergulho sinestésico na natureza mais profunda das coisas do universo.
Cabaça. Este nome (que em árabe - kara bassasa - quer dizer "abóbora lustrosa") designa uma das primeiras plantas a serem cultivadas no mundo, não apenas para uso alimentar, como para uso  doméstico, culinário e também espiritual. 
À primeira vista uma cabaça pode não te dizer nada. Mas para muitas cosmovisões afrikanas e indígenas, a cabaça tem significados reveladores e metafísicos sobre a própria existência humana.
Na mitologia yorubana a cabaça está presente em Ytans de mais diversos orixás, sendo associado à Oduduá, às Ya Mis, a Obaluaê, a Nanã, a Orumilá, a Exu ...
Aqui uma lenda yorubá chamada Igbadu (A Cabaça da Existência), belíssimo texto de Adilson de Oxalá:
(...) Devo lembrar-te de que, se hoje és detentor do poder sobre os 16 destinos, deves a mim este privilégio, ou por acaso te esqueceste da forma como…

A senda griô: da África ao Brasil

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Na África Malinké, o Djeli:
Sabemos que a África é um continente muito grande e diverso em aspectos culturais, sociais, econômicos, políticos, linguísticos, naturais, etc. Ainda assim, tem coisas que fazem parte da ancestralidade da grande maioria dos povos africanos, entre eles a figura do "griô", seja este homem ou mulher.


A palavra griô encontra-se em crise conceitual entre mestras e mestres dos saberes populares em várias regiões da África e em regiões do atlântico negro herdeiras da diáspora africana, por ser uma palavra imposta colonialmente. 

Assim, a palavra "griot" foi criada pelos franceses para referir-se à tradução do termo "dieli" (Jéli ou Djéli), palavra encontrada na África Malinké (Mandengue), que designa o cidadão que tem por missão a transmissão do conhecimento de uma tribo ou de um povo através das gerações.

Ao que parece o termo "griô" não é totalmente bem aceito entre os djelis africanos, no entanto, ela se expandiu por todo o m…