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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Árvore da Memória: Mestra Tina: Guardiã da Cultura Popular da Paraíba

Mestra Tina da Paraíba nos fala um pouco sobre sua vida e seus caminhos na Cultura Popular Nordestina

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Mestra Tina: Meu nome é Jocilene Cunha. As pessoas me conhecem por Tina. Tenho 39 anos de idade e faço parte da Capoeira Angola Comunidade, sou aluna de Mestre Naldinho desde 1996, lá em João Pessoa, na Paraíba. 

Já tenho 21 anos na prática, nessa vivência dentro do grupo. E não só faço parte da capoeira, mas também do outro lado da cultura popular de raíz, onde faço parte de um grupo chamado "Cavalo Marinho Infantil Sementes do Mestre João do Boi". 


Mestra Tina, da Paraíba
Antes não tinha este nome "sementes". Foi colocado depois da morte do meu Mestre, que é o João Antônio do Nascimento Pereira, também conhecido como João do Boi. O cavalo marinho infantil de lá tem uma resistência e existe desde 1968 nessa base e após o falecimento do meu mestre, eu tô dando continuidade ao brinquedo, a pedido dele. Ele pediu pra não deixar a brincadeira acabar e hoje eu tô na responsabilidade de manter a tradição viva nessa cultura maravilhosa, genuinamente brasileira, lá na Paraíba.

A gente faz ensaios todos os sábados, apresentações em vários lugares, eventos de capoeira, festival em faculdade, aniversário, onde quer que esteja, dia de reis, quando a gente comemora a nossa brincadeira. Eu já conhecia um pouquinho o cavalo marinho, em apresentações, no próprio bairro que eu moro, em João Pessoa. E até então eu era apenas parte do público. Eu via o grupo se apresentar e gostava muito de ver o pessoal brincando, se divertindo. 

Em 2005 o meu mestre me chamou para ajudar a organizar o grupo, ele já estava numa certa idade e ele estava precisando de alguém. Outras pessoas já tinham passado pelo grupo para tentar organizar mas até então eles não aguentaram ficar. Então eu aceitei o convite de ir e fazer parte e comecei a organizar o grupo dele de uma forma que as pessoas passaram a perceber uma mudança muito boa para a continuidade da brincadeira dele até porque pessoas da família participavam da dança mas não queriam ter a responsabilidade de organizar o grupo, deixar tudo bonitinho e organizado. E aí aceitei.

Ele faleceu em janeiro de 2012, e antes dele falecer ele me pediu para não deixar acabar a brincadeira. 

Inclusive a gente tem DVD, antes do falecimento dele ele registrou estes depoimentos, né? Dizendo "No dia em que eu for embora, quem vai cuidar da brincadeira é essa menina aqui." E aí eu tô aqui até hoje. Quando ele se foi acrescentamos o nome Cavalo Marinho Infantil Sementes do Mestre João do Boi, com Mestra Tina e Brincantes. 

Digo Mestra Tina, porque o pessoal da cultura popular está me considerando Mestra na brincadeira. Fora o cavalo marinho, eu faço parte de outro grupo também chamado Ciranda do Sol, que é do Mestre Manoel Baixinho, também da mesma cidade, do mesmo bairro que eu moro, na Paraíba. Foi na mesma época que eu comecei a organizar o grupo do cavalo marinho, o mestre Manoel Baixinho fazia parte do grupo do cavalo marinho, era um dos tocadores que respondia o coro e na mesma hora que o Mestre João me convidou, o Mestre Manoel me fez o mesmo convite para organizar o grupo da Ciranda dele. Então ele falou que só tinha os tocadores, precisava dos dançantes e os cirandeiros para formar o grande círculo, que o pessoal dança de mãos dadas, no sentido anti-horário do relógio. 

E aí eu fiquei pensando o que eu ia fazer porque era um mestre de cultura popular que estava precisando de pessoas com experiência em questão de organizar. Então ele falou: "Preciso de você também". Mas aí eu falei: "Eu não posso, eu tenho a capoeira, o cavalo marinho"... Ele falou: "Dá um jeito aí"!

Eu fiquei pensando: "O que eu vou fazer da minha vida, com três grupos? 

Eu disse: "Certo, Mestre, eu vou tentar" Eu decidi enfrentar. Se não for tudo no mesmo dia, no mesmo horário, tudo bem. Eu tomo conta de todos os documentos do grupo. Ele não sabe trabalhar a questão da administração dos documentos.

Então eu faço parte destas três brincadeiras. Uma hora eu tô na capoeira, no cavalo marinho, na ciranda … 

Às vezes coincide de todos os grupos se apresentar no mesmo local, só que em horários diferentes. Aí eu tenho que me transformar em três. Em capoeirista. Aí eu corro e tenho que me transformar em brincante do Cavalo Marinho. Aí quando termina, eu tenho que me transformar em cirandeira. 

                                      

Na Ciranda eu toco o Bombo, tem gente que chama de Zabumba, mas lá na cultura popular a gente chama de Bombo. O meu mestre Naldinho toca caixa ou tarol. E eu também dou resposta na Ciranda, tocando e cantando. E os outros tocadores também dão resposta enquanto estão tocando e dançando. 

Hoje eu tô aqui no Kilombo Permangola, do Mestre Cobrinha, mas tô com a preocupação com meu mestre, desde o dia 31 de dezembro ele está hospitalizado, teve um avc, mas parece que ele está quase tendo alta.

Eu respeito muito os mestres da cultura popular de raíz. Também respeito e considero as pessoas que tem um trabalho folclórico, mas o meu foco maior é a cultura de raíz. Eu gosto de beber água da fonte, com os mestres, que começaram com 5, 7 anos de idade e até os 70, 80 anos eles continuam brincando, mantendo a cultura viva. A cultura popular tá no meu sangue. Meu espírito é brincalhão, pra fazer diversão tanto minha quanto do povo, eu gosto de brincar. Eu já brinquei de tudo um pouco, no meio de rua, no campo, eu já participei de muita brincadeira, de futebol, de cantigas de roda, de pula corda, rouba bandeira, de peão, de bolinha de gude, que dependendo da região tem outro nome. No Rio Grande do Norte por exemplo, tem o nome de Biloca. Vamo Jogar Biloca? Brinquei muito e pra mim tudo serve como aprendizado…

Também já fiz parte de uma tribo indígena chamada Xavantes. Se não me engano eu tava com 12 anos de idade. Meu mestre se chamava Pindoba. Hoje não faço parte mais da tribo indígena, porque o tempo foi se passando e eu não sei explicar porque eu não dei continuidade. Os Xavantes sempre fazem ensaios para o carnaval, em fevereiro. Tem os encontros de tribos indígenas. Tem os africanos, os Papa Amarelo, os Tupinambás, os Pele Vermelha … então é diferente dos Torés … A tocada, a dança, nas pisadas que eles fazem de caboclo … Então eu fiz parte por um ano, ensaiei, aprendi a fazer meu cocar e fui para as festas dos carnavais, né? E na época, antes de ter o dia do encontro das tribos a gente fazia os ensaios e nos dias dos carnavais, a gente saía nas ruas do bairro dançando e aí era muito interessante. Depois de fazer toda a apresentação, às vezes parava numa casa e ficava tocando … a dona da casa se achava interessante, oferecia uma contribuição em dinheiro. Dançava, dançava e dançava e recebia essa contribuição …. aí lá na frente tinha uma outra casa, que queria contribuir, e aí ia …  Não faço mais parte da tribo indígena porque eu conheci a capoeira e não tenho como estar na tribo indígena mais.

Hoje o meu mestre, que era o chefe da tribo, o Pindoba, era o chefe dos Xavantes. Com o passar dos anos ele achou melhor vender a tribo que ele tinha, que era o Xavante e fez um africano. Hoje ele é africano. É muito bonito. Ele já ganhou primeiro lugar. Então meu mestre Pindoba é um camarada de valor, tem uma potência muito grande. E quando chega na época de carnaval a galera todo fica encantada com a apresentação deles.

Mo: Como vocês mantém os grupos de cultura popular q você participa?

Mestra Tina: É uma boa pergunta. A gente não tem patrocínio de nada. A gente não tem uma ajuda de um prefeito, órgão do governo, de ong nem de nada … A gente é a gente mesmo. Às vezes o grupo é contratado pra fazer uma apresentação, mas assim… não é essa coisa toda. Até porque a cultura popular a cada dia que se passa está sendo mais desvalorizada. Às vezes aparece algum prefeito que é ligado à cultura popular mas aí vem a mudança de prefeito, a gente fica procurando apoio e não encontra … E quando os grupos de cultura popular são chamados para fazer uma apresentação na cidade, às vezes recebe um cachezinho que infelizmente não dá pra comprar o  que a gente necessita para manter o grupo. Então é você ter o peixe e você não poder dar o valor pra mercadoria. Quem tem que dar o valor da mercadoria é a pessoa que tá te contratando: "Ah, eu te posso dar tanto…" . Você vê que é pouco e não sobra … "Poxa, eu fiquei com o dinheiro pra confeccionar ou reformar o boi, que precisa. Precisa comprar cola, tecido chitão, bastão, pistola, emborrachado, é um monte de coisas … quando você juntar e comprar tudo isso não sobra nada. E o mestre não precisa se alimentar? Não precisa se manter? Então o que faz a brincadeira ainda existir e permanecer ali, persistindo nos ensaios… quem faz isso são os próprios brincantes que ficam cobrando, perguntando: "Amanhã vai ter ensaio?" Tem mestres de cultura popular que ficam com vontade de desistir porque não tem um incentivo. O incentivo maior pra se manter é a insistência dos próprios brincantes, dos próprios dançantes … A gente não tem um cachê bom.

Mo: Antes de você já teve mestras mulheres nos grupos que você participa ou você é a primeira?

Mestra Tina: Assim como na capoeira, quando eu comecei não tinham mulheres treinando capoeira. E o cavalo marinho também não tinha mulher fazendo parte dessa brincadeira. Todos os brincantes eram homens. Não tinha mulher participando, assim como na capoeira. Com o passar do tempo, as mulheres foram começando a aparecer na capoeira, a aparecer no cavala marinho, foi abrindo esse espaço e hoje como mulher eu faço parte dessa cultura. Na ciranda eu não posso dizer nada porque a ciranda e para todo mundo. Todo mundo misturado. Então, eu só conheci uma cirandeira, Teka que e do coco, que quem toca ciranda toca coco, Mestra Lenita, de Joao pessoa. 

Mo: Você vê por parte das crianças, dos adolescentes, interesse pelo brinquedo?

Mestra Tina: Olha só: eu não posso dizer todas as crianças, mas as vezes a gente conta no dedo das crianças que tem interesse de fazer parte da cultura, né? Porque o cavalo marinho chama muita atenção da criançada por causa das figuras que tem, tem o burrinho, tem o cavalo, tem o boi, tem o jaraguá, a margarida … eles ficam encantados pela brincadeira e quando uma criança vê a outra, uma vai chamando a outra, daqui a pouco eles estão começando a acostumar ali com aquele ritmo, com aquela tradição, com aquela manifestação, daqui a pouco tem um bocado brincando… mas não são todas as crianças. Até porque tem crianças que tem vontade de brincar, mas às vezes os pais não deixam… Hoje em dia tem muitas pessoas que estão virando evangélicas … Mesmo gente que fazia parte de cultura africana, de cultura popular e depois muda, vira evangélico e começa a dizer que aquilo ali faz parte do demônio, do satanás, que não quero meu filho naquela brincadeira, que aquilo ali não é muito bom pra ele. Eu conheço um grupo de Lapinha, Lapinha Jesus Nazaré, de Mestre Maciel, também de Joao Pessoa, na Paraíba, que é muito bonito você ver a Lapinha se apresentar. A Lapinha de adolescentes, da terceira idade … Então o que aconteceu com a Lapinha de criança e adolescente lá? Abriu uma igreja do lado, onde ele faz os ensaios e os irmãos da igreja começaram a fazer convite para o pessoal que participa da Lapinha para ir pra igreja, começaram a conquistar e o grupo da Lapinha acabou. O mestre ficou preocupado porque colocaram na cabeça das mães, dos responsáveis, que aquilo ali não é coisa de Deus … eu acho que não tem nada a ver pessoas que já fizeram parte de manifestações culturais dizerem que aquilo ali é tudo o que não presta … Se você é evangélica e me vê tocando o tambor, vai dizer que eu sou da sacanagem porque tou tocando o tambor … Eu não quero generalizar todos, porque tem evangélicos que respeitam. Mas tem outros que não respeitam, que não quer saber … o que eles querem é que o povão fique ali, idolatrando eles … Quanto mais gente tiver ali, mais nome o camarada vai ter. Quanto mais gente ele puder tirar da brincadeira, que ele diz ser coisa do demônio, para ele é uma vitória. Hoje em dia eles estão usando nos cultos o pandeiro, o tambor, o timbal … mas como assim? Você antes não podia ver ninguém tocar uma lata que falava que isso era coisa não sei de onde, e agora vocês tão usando o instrumento dentro da igreja, até berimbau usam …

Mo: É possível encontrar o trabalho de vocês na internet?

Mestra Tina: Sim, é só procurar Cavalo Marinho Sementes do Mestre João do Boi.

Mo: Eu agradeço muito.

Mestra Tina: Eu que agradeço pelas perguntas porque vai relembrando das coisas e vamos colocando em prática estes aprendizados. Aqui no Kilombo Tenondé já são duas vezes que eu venho participar do Permangola. Sou muito grata ao Mestre Cobra Mansa pelo respeito, pela receptividade, pela atenção.
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Conversa realizada em janeiro de 2018, no Permangola, no Kilombo Tenondé. 
Valença, Bahia, Brasil.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Árvore da memória: Dimitri Dracius e os Caminhos da Mandinga

Aula de Ladja e Danmye . Permangola 2018

Dimitri Dracius nos fala um pouco sobre sua vida e sua conexão com a Capoeira e a Ladja, luta marcial da Martinica, seu país de origem, janeiro de 2018, no Kilombo Tenondé.
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Meu nome é Dimitri Dracius. Nasci na Martinica.

Sempre fui uma criança que gostava de dançar. Eu gosto do ritmo. Meu pai era apaixonado de salsa, apaixonado de percussão. Então eu nasci numa casa que tinha muita música.  Principalmente do Caribe.

A Martinica é um lugar com 95% de negros. Então, uma cultura musical, uma cultura de dança. A gente tem várias danças. Tem o Zouk, tem música tradicional, mas ao mesmo tempo eu não tinha muita ligação com isso. 

Eu nasci dançando. Quando cheguei na idade de 13, 14, 15 ... gostava de brincar um pouco de imitar as pessoas da Ladja com amigos. A gente tentava fazer o golpe para imitar eles, 

mas neste tempo a gente não valorizava nossa cultura.

Com 18, 19 anos eu fui pra Canadá. 

Lá eu descobri a Capoeira Angola e ao mesmo tempo, um amigo me iniciou realmente no Danmye, porque antes disso eu fazia só para brincar.

Quando fiz a primeira aula, me senti em casa. Senti que era minha expressão natural.

Quando eu dançava as pessoas me falavam “você dança de um jeito diferente, mais roots.” Eu não gostava de dançar de um jeito refinado. Mas nesse tempo eu me apaixonei pela capoeira angola. Então eu coloquei todo meu fogo na capoeira angola mas ao mesmo tempo eu praticava Ladja, eu fazia parte de um grupo de dança tradicional da Martinica e da Guadalupe e fazia as danças, apresentações, eu apresentava Ladja, Danmye. O Danmye sempre estava lá, só que eu praticava mais a capoeira. 

Eu fugia um pouco do Danmye para não me perder.

Danmye é a forma da arte marcial da Martinica que é a vadiação, que você não faz golpes para machucar o outro, para acertar de verdade. A Ladja é a forma marcial para os iniciados, é para matar se é necessário, é para machucar e tem muita magia envolvida com isso, muita preparação espiritual, por isso que é para iniciados, pessoas que tem um conhecimento de várias coisas, conhecimento espiritual, conhecimento da medicina. Você se machucava tanto, que você precisava se cuidar, com ervas, com banhos de folhas ... e, claro, conhecimento da arte da Ladja.

Mo: E quando você voltou pra sua terra, o que você sentiu?

Dimitri:  Meus pais estavam presentes na cultura. Meu pai era tocador de tambor e minha mãe dançava. Ela dança, mas meu pai faleceu em 2016. Minha mãe ainda não voltou a dançar, mas ela dança em casa. Então, sempre tive essa relação com a cultura martinicana. Eu voltava para casa e acompanhava eles para dançar. Mas eu fugia da Ladja, eu fugia do Danmye, eu falava com o pessoal “Eu sou da capoeira”. Mas minha vida me mostrava que eu tinha uma ligação com isso.

Em 2008 tinha um grande evento em Salvador, o Ginga Mundo. Eles convidaram pessoas da Martinica, do Danmye para fazer uma troca com as pessoas da capoeira. E aí eu tava lá, sem querer... E a pessoa que fazia a apresentação, chamou no público alguém para dançar. As pessoas que sabiam que eu era da Martinica me empurraram para jogar. Aí foi um jogo fantástico. Foi muito forte esse jogo. E eles precisavam de uma pessoa, porque tinham uma pessoa machucada no grupo, então eles precisavam de mim, na verdade.

Então, no dia seguinte, eu fiz uma apresentação com eles, com João Grande, jogando Danmye também ... foi um momento muito forte, troca de culturas, com grandes mestres .... Eu presenciei isso, sem querer. Mas eu não queria saber a resposta.

Então, meu pai faleceu em 2016. Eu tinha que ir para Martinica para o velório dele. Lá tinha muitas pessoas tocando música tradicional, muitas pessoas de nome lá da Martinica.
A música do Danmye tem uma vibração muito profunda, bem melancólica, mas não é essa palavra. Aí começou a tocar e tinha muitas pessoas querendo falar para mim. Mas eu não falava mais com ninguém. Eu fui diretamente perto dos tambores. Tinha um cantador muito, muito bom. Tinha uma voz com muito dendê. Aí eu entrei para jogar. Talvez as pessoas pensavam que eu não ia jogar porque eu tava triste, mas eu pensei “Meu pai seria feliz de me ver jogando”... aí eu entrei e joguei Ladja. Quase o primeiro dia que eu cheguei na Martinica. Então, isso foi um sinal para mim. Então, esse tempo na Martinica, como eu tinha quase 17 anos de capoeira, na Martinica eu sou mais uma referência de capoeira. Então quando eu volto o pessoal quer me ver para dar aula, então eu comecei a me envolver com a capoeira, comecei a dar aulas para crianças.  E aí chegou esse conflito, porque eu dava aula de capoeira com a musica, com a história do Brasil. E eu comecei a achar isso muito estranho: de passar uma outra cultura, sem passar a minha cultura.

Aí eu tinha um amigo que fazia Ladja e era capoeirista e ele sempre me falava: “Como você é martinicano e não faz Ladja, não fala da sua cultura ... só fala do Brasil?” E eu concordava com ele mas pensava “Bom... não é por acaso que eu fiz tantos anos de capoeira ... Talvez é o meu caminho ... talvez meu caminho não é Ladja”. Eu fugia da Ladja ainda.

Aí uma amiga me convidou para uma aula de Ladja.

Eu pensei: “Bom ... Você não pode fugir, não é certo fugir da sua cultura assim.”

Então eu comecei a treinar. Os passos já estavam lá porque, mesmo não praticando muito, já estava dentro de mim.  O pessoal percebeu. Eu recebi muito incentivo dos mestres que me falavam “Continua, continua!”.

Mas ainda estava um pouco fora. E aí nesse processo do falecimento do meu pai, muita negociação para recuperar o dinheiro do meu pai, com os bancos, a segurança social. Minha mãe tava muito cansada. E minha irmã propôs de fazer uma viagem no Caribe de cruzeiro. Não era muito meu estilo ir num cruzeiro, mas eu fui porque a gente realmente precisava sair um pouco da Martinica.

Foi nessa viagem que eu comecei a visitar ilhas, ilhas, ilhas ... comecei a sentir muita identidade do Caribe. Pensei “Eu sou de Caribe” .

Aí a Ladja começou a entrar ... Eu comecei a sentir que a Ladja começava a tomar o primeiro lugar no meu coração, e a capoeira começava a descer para o segundo.

E eu não aceitava isso.

Aí quando eu voltei era o Carnaval e o Carnaval tem muitas rodas de Danmye, Ladja.  Aí eu fui em uma, eu fui em duas ...  E lá eu entrei, comecei a sentir que era isso ... mas foi difícil.

Aí quando eu voltei no Brasil eu não era a mesma pessoa em relação à capoeira.  Eu voltei no Brasil com o tambor do meu pai e levei muito tempo para fazer ele sair da capa. Era muito forte fazer esse tambor sair e ficar na minha frente. Mas sentia que na casa tinha o coração da Martinica. O Coração ancestral. O tambor dos ancestrais. E aí eu resolvi começar a dar aula. Foi assim.

Mo: Que forte...  Na Martinica em que contexto acontecem os jogos?

Dimitri: O Danmye, estes rituais para mim são muito evoluídos. Muita gente acha que os escravos eram pessoas sem conhecimento, mas muitos eram Ngangas, iniciados ... pessoas que tinham muito conhecimento. Dançar com música é uma coisa muito profunda. Resolver problemas com uma pessoa de uma forma ritual é uma coisa muito forte. Na Martinica a Ladja vem de uma cultura que entende as forças. Lutar com música é uma forma de transcender, de entrar em contato com o espírito.  Esses rituais são feitos para acessar a nossa essência.  Não é uma atividade que é separada da espiritualidade. No Danmye, o objetivo é de entrar quase em transe. Os antigos falam de se transformar em um bicho, transcender a mente. O africano entendeu que a dança e a música é uma forma de quebrar a barreira da mente. É um ritual muito profundo. As pessoas no Brasil tem o costume de pensar que a dança apareceu para disfarçar a luta, mas para mim isso é diminuir a capoeira, muito. As pessoas acham que a música está lá, mas ela não tem tanta importância. Mas a importância da música é fundamental. E uma forma de se conectar com nossa essência, com nosso potencial máximo. Então, no Danmye o objetivo é esse: acessar a nossa essência. Isso é muito forte. Um caminho espiritual. Na Martinica eles falam “o caminho do Danmye” – chimen Danmbien em creoule – então é o caminho para atingir a nossa essência.

Mo: De onde vieram as maiores influencias dos territórios africanos?

Dimitri: Benin, Mali, Senegal, Kongo, Cameroon.... os escravos vem de lá. E o voodoo que é a base da espiritualidade afro-martinicana e do Haiti também é muito ligado com o Benin. Então, a gente vem de lá. Depois teve muitas pessoas do Kongo também. Aí ninguém sabe realmente de onde vem o Danmye. Mas no Senegal tem lutas que são parecidas. Mas acho que algumas lutas também sumiram da Afrika. Vem da fusão, do sincretismo de várias etnias africanas. Tinha influencias também do povo da India, os indianos chegaram depois da escravidão. A India que também é uma cultura muito forte. Algumas pessoas falam que o toque de tambor tem uma influência da India. Alguns passos da Ladja parecem da India também. Também teve influência de chineses, japoneses, porque a Martinica era um porto, uma entrada para a América do Sul. Mas esses povos todos passavam lá. E tem influencia do box também. É uma leitura, mas acho que essas lutas já estavam prontas na Afrika. A luta é muito africana, a luta que vem do Egito. Acho que a Ladja é 90% da Afrika.

Mo: E não tem nenhuma influencia dos povos nativos da ilha?

Dimitri: Teve um genocídio antes da escravidão. Então ... mas eu acredito que tem, espero que tem, seria muito bom ... É difícil, porque nada foi escrito. É  uma história só oral.

Na Martinica tem outras lutas. Tem uma luta com bastões e uma luta dentro da água que se chama Wolo. Tem uma luta na praia que parece muito com a capoeira. Então é um lugar no mundo que ... eu sinto que a nossa ilha foi escolhida para alguma coisa relacionada com guerreiros. Como você me falava hoje que não faz sentido que a gente seja francês colonizados. Parece que a gente foi escolhido para ser uma cultura guerreira, eu acho a mesma coisa, que o povo deveria acordar, porque acho que isso não é por acaso.  Acho que somos guerreiros, que a gente perdeu isso ... isso tá escondido.

Mo: A capoeira surge de ambientes de mato, de cais, ambientes que não estão em um centro da sociedade.  E com o passar do tempo, acaba se tornando símbolo da luta e da resistência do povo brasileiro.  Vem sendo ensinada para crianças ... a Ladja é ensinada para crianças?

Dimitri: Muito pouco. A Ladja é mal vista, porque era uma coisa pesada, coisa de “vienenguem”, uma expressão que quer dizer “negros brutais”. E não é totalmente falso isso. Era um meio bem pesado, com álcool, com lutas brutais e verdade que um meio que dava medo para algumas pessoas. Mas não tudo era assim. Teve um momento que eram muito populares. Tinha muitas competições entre as diferentes regiões. Cada região tinha um Major, o Major era um lutador de Ladja. Tinha competições entre diferentes vilas. Mas isso sumiu talvez na década de 60, ou um pouco antes. Aí nos anos 70 teve um movimento para resgatar isso, para fazer entender que isso era nossa identidade, nosso tesouro, nossa cultura. Então, quando eu cresci eu olhava isso como uma coisa de “vienenguem”, coisa de pessoas brutais. E isso não atrai a juventude. E não atraía. Mas agora que vários lugares do mundo passam por uma crise de identidade, vários povos buscam por sua cultura. Na Martinica isso esta acontecendo. Só que ainda e muito fraco. E não é só culpa da mente colonizada. Porque era um meio bem fechado também, bem perigoso.  Mas agora começou a abrir vários jovens tão chegando, mas é muito pouco ainda. Quando a capoeira chega na Martinica, a capoeira seduz todo mundo. O Danmye  tem mais dificuldade.

A Ladja tem toda a parte da luta que precisa de muito treino. Tem que ter o corpo forte, também, muita técnica.

Com certeza a capoeira é mais avançada no processo de divulgação, de politização. Então a capoeira me deu vinte anos de adianto com a Ladja. A Ladja, o Danmye é como a capoeira talvez há trinta anos atrás. Então eu posso ver os caminhos que o Danmye não devia tomar. As pessoas querem fazer competições com o Danmye, envolver academias ... e o que está acontecendo com a capoeira me dá mais clareza para ver qual caminho faria mal para o Danmye. Mas como eu não estou na Martinica, não participo das reuniões, não tenho tanto poder, ainda não tenho esse peso para falar também.

Mas a última vez que eu tava na Martinica, eles tavam organizando competição ... falando em colocar proteção na cabeça e luva de boxe nas mãos ... Não faz sentido ... Eles tão perdendo o ritual ... não é um esporte, é um ritual. Toda uma cultura, toda uma espiritualidade envolvida, não é um esporte, não é uma coisa só física. Eles tão fazendo os mesmos erros que os mestres de capoeira ... mas eu não tenho poder ainda ... Eu tô no Brasil, iniciante de Ladja ... Mas quero voltar para lá para lutar. Lutar pelo meu país em diferentes aspectos, não é só pelo Danmye. A gente tem uma mente muito colonizada. A gente nunca foi independente. A gente tem que comer comida de fora que a gente poderia produzir na Martinica. O povo tá bem bipolar entre uma cultura africana e uma cultura francesa, que não tem muito a ver. Pelo menos no Brasil, vocês tem uma cultura africana, indígena e o português não é tão longe da África. O português tem uma coisa árabe, mas o francês é muito longe disso. Então no Brasil é mais fluido, mas na Martinica a gente é bem bipolar. Se comporta como um francês e de repente como um africano. Às vezes a transição é um pouco bruta.  Então eu tenho que voltar lá para fazer diferentes coisas, não só para o Danmye.

A parte espiritual do Danmye ainda é bem presente, as preparações ... o pessoal está querendo voltar para estes conhecimentos, que são bem forte ainda.

O Brasil tem muito para aprender, para dar para Martinica e Martinica tem muito para dar para o Brasil. São duas culturas que se complementam, uma tem que resgatar coisas da outra ... Eu me sinto privilegiado de estar entre as duas. Às vezes eu penso, Uau! Incrível! Eu sou uma ponte, falo as duas línguas, a língua da capoeira, a língua do Danmye, o Danmye me faz entender mais a capoeira, a capoeira me faz entender mais o Danmye. Então eu sou muito privilegiado.

Mo: Como é mesmo aquela frase?

Dimitri: Uei u pa Uei. Uei u pa Uei é a essência da Ladja. Você achou que viu, mas você não viu. Você viu minha mão, mas você não viu meu pé. É a mandinga.

Mo: Então a mandinga é uma conexão entre as culturas que você transita?

Dimitri: Sim. A mandinga é presente em cada arte marcial. Para acertar alguém, você tem que fazer ele acreditar que você vai fazer uma coisa, e faz outra. Mas na Capoeira, no Danmye, o foco é muito mais forte nisso. E a música incentiva muito isso. Tem muitos lutadores de boxe que começam a usar muito isso. Muitos africanos, você vê eles fazerem o boxe, mas você sente que eles precisam dançar ... tem alguns lutadores agora que fazem isso e é muito eficiente. A gente pode pensar: “será que a mandinga é eficiente?” Quando você vê um boxeador usando isso e isso funciona, você vê que é muito eficiente.

Mas tem vários níveis de mandinga. Tem a mandinga assim, mas tem a mandinga de verdade, que você enfeitiça o outro, de verdade. E isso é para os iniciados. Tem que enfeitiçar o outro. Ele tem que ficar perdido com você, sem saber o que está acontecendo.

Você pode fazer isso de uma forma bem física, ou de uma forma espiritual, com magia mesmo.  Mas isso é outro nível.  Por isso o Danmyeté é uma pessoa iniciada. Que antigamente não tinha essa coisa só física, tudo era junto. 

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Entrevista realizada no Permangola, Janeiro de 2018, no Kilombo Tenondé.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Permangola 2018: Capoeira Angola, Permacultura, Cultura Popular, Filosofia Africana

                               

Em sua 12§ edição, o Permangola 2018 reunirá Mestres e especialistas da Capoeira Angola, permacultura, filosofia africana, medicinas naturais e cultura popular, conectando ancestralidade e uma perspectiva futurista de respeito e cuidado com a terra e com o próprio ser humano.

A proposta de reunir em um único encontro os fundamentos e filosofia da Capoeira Angola e os princípios da Permacultura, fazem do Permangola um evento único e uma referência no mundo da capoeira.

Acredito cada vez mais que o mundo precisa integrar o homem e a natureza em uma coisa só. - Diz o Mestre Cobra Mansa, um dos idealizadores do Permangola: Nós estamos com um déficit com a mãe-terra, a gente tem destruído muito a terra... a gente está com essa dívida e a gente tem que começar a pagar antes que a terra venha cobrar da gente. (...) A gente quer que isso aqui seja um modelo tanto de bio-construção, quanto de sustentabilidade”.

O Kilombo Tenondé, localidade onde o evento acontece anualmente, é um centro de atividades agropercológicas (agricultura, pecuária, ecologia e capoeira angola), que busca resgatar a filosofia e a importância histórica dos kilombos brasileiros, tendo como maior objetivo estimular a criatividade, o pensamento construtivo e os valores de convivência humana e harmonia com a natureza, sendo o local perfeito para sediar este encontro, que busca partilhar sementes e gerar intercâmbios para a transformação do indivíduo e do capoeirista em seus múltiplos aspectos, sempre em comunhão e respeito com a natureza, abrindo novas perspectivas para o entendimento da própria Capoeira Angola e da vida em comunidade.

Assim, aqueles que sentirem o chamado para partilhar deste encontro e se abrir para o infindo aprendizado de cuidar da terra, de si e do outro, que venham preparados com sementes para as trocas, barraca, lençóis, cobertores, repelentes, cobertores, lanternas, roupas e ferramentas de trabalho (botas, calça comprida, camisas de manga longa) e boas vibrações!

Aqui estão alguns dos convidados que participarão do Permangola 2018:
- Mestre Leninho: Mestre de capoeira angola , artesão , especialista em fabricação de caxixi e berimbau.
- Treinel Fabricio: Capoeirista, artesão, especialista em madeira e construção de móveis rústicos.

- Mestre Valmir: Mestre de capoeira angola, artesão, especialista em fabricação de caxixi e berimbau.

- Sergio São Bernardo: Doutorando na UFBA, Professor da UNEB e membro do instituto Pedra do Raio.
- Sr Brasilino: Líder da comunidade do Kilombo tenonde ,especialista em plantas medicinais , árvores da mata atlântica e mestre da casa de farinha.
- Yaia Floresta: Especialista no Sagrado feminino e do Temascal (Sauna Sagrada) 
- Mo Maie: Pesquisadora nas áreas de música e dança africana e afro-ameríndia brasileira.
- Sheila: Especialista em ervas medicinais, fabricação de tinturas, pomadas, remédios caseiros, etc...
- Re Floresta: especialista em Agrofloresta, reflorestamento, fabricação de remédios e florais. 
- Mestre Lua (A confirmar): Mestre de capoeira angola, especialista em agrofloresta de altura, Bioconstrução, escultura em madeira, etc….
- Mestre Naldinho: Mestre de capoeira, especialista em orquídeas, peixes ornamentais, etc.. 
- Mestre Rene (ACANNE): Mestre de capoeira, trabalhos com educação e africanidades.
- Gonzalo Hidalco: Mestre em Permacultura, sistema agroflorestal, sistema de irrigação e Sauna sagrada.
- Mestra Gegê: Mestra de capoeira angola, trabalho com crianças, yoga, etc...
- Rayluz: capoeirista, trabalho trança em palha de coqueiro. 
- Contra Mestre Guaxini do Mar: mestre de capoeira angola. 
- Bruninha: especialista em trabalho educativo com Compostagem e reciclagem, etc...
- Dó: Pemacultor, especialista em sistema de agrofloresta, poda, enxertia, clonagem, técnico agricola .
- Dr Eduardo Oliveira: especialista em filosofia africana, capoeirista, antropólogo, professor da UFBA. 
- Rede Africanidade: Grupo de estudo africanos da UFBA.  
- Prof. Geraldo: Professor da UFBA, especialista em PNCS (Plantas alimentícias não convencionais).
- Tiago: especialista em ervas (herbário,UFBA).
- Maíra: gastronomia , especialista em PANCS.
- Juliana (ufba)
- Sr Dadu: Mestre das plantas, PNCS, agricultor.
- Norval Cruz : Especialista em nutrição, alimentação natural, trilhas da lua.

e muito mais, em breve a confirmar ……

Permangola 2018


Para maiores informações:
kilombotenonde@yahoo.com.br
cobramansa@hotmail.com

http://www.kilombotenonde.com/kilombo-tenonde/


Como chegar ao Kilombo:
Vindo de Salvador, pegue o Ferry Boat até Bom Despacho e de lá pegue um ônibus até a cidade de Valença.
Desça na rodoviária e pegue outro ônibus até o Povoado de Bonfim e peça ao motorista para descer no Kilombo, do mestre Cobra Mansa.
Caso você precise esperar muito pelo ônibus na rodoviária de Valença, outra opção é pegar uma Kombi  (3 reais)
na Feira de Valença que passe no Povoado do Bonfim. A Feira de Valença está a 15 minutos caminhando da rodoviária.
Se você chegar depois das 17:20 e não encontrar nem ônibus e nem Kombi, você pode pegar um taxi até o Povoado de Bonfim.
Contamos com o apoio de Nelson, mestre de capoeira e taxista (contato: (75) 3611-2663 ou (75) 9147-1895). É só dizer que está indo pro Kilombo Tenonde que ele cobrará apenas 50 reais pela corrida até o Kilombo. Normalmente, custa mais caro, pois são 20Km até lá.

Os horários do ônibus Valença-Povoado de Bonfim (média de 2,65 reais) são:
Empresa Cidade do Sol: 05:45, 07:50, 10:10, 12:20, 14:30, 17:00
Empresa Santana: 05:30, 07:10, 09:30, 12:00, 15:10, 17:20 (Domingo 07:10, 12:00, 15:10, 16:10, 17:20)

Empresa Camurugipe: 05:30, 7:00 e 11:30
Se não quiser ir de Ferry Boat, outra opção é pegar um ônibus que sai de Salvador e vai direto até Valença.
Tem um ônibus da Águia Branca, somente na segunda-feira e sexta-feira, que sai de Salvador às 06:20, chega em Valença às 10:25 da manhã, e custa 34,76 reais.

Você pode comprar a passagem pela internet:
https://www.aguiabranca.com.br/cgi-bin/br5.cgi

Se você vier de carro pela BR 101, você entra no entroncamento com a BA 542, o Kilombo está a mais ou menos 10Km.
Você verá a placa do Kilombo do seu lado direito. A aproximadamente 100m você verá a casa principal do Kilombo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MULHERES DO MAR se apresentam na Casa Preta

MULHERES DO MAR se apresentam na CASA PRETA

MULHERES DO MAR se apresentam dia 15, 16 e 17 de Dez na Casa Preta, a partir das 19h, na programação do último mês do ENXURRADA CASA PRETA, realizado pelo Aldeia Coletivo Cênico. Chega mais que tem muita surpresa te esperando!
O grupo musical MULHERES DO MAR surge do Movimento Mulheres do Mar (Vera Cruz, Ilha de Itaparica), que busca criar conexões e fortalecer o diálogo entre crianças, jovens e mulheres da comunidade de Barra Grande a partir da Capoeira Angola e da cultura afro-brasileira e africana. O seu repertório é composto de canções ancestrais e composições autorais, baseadas na ligação do mar com o universo feminino e o trabalho das mulheres marisqueiras, roceiras e pescadoras.
As apresentações fazem parte do III Intersoteropolitano na Aldeia, um projeto de intercâmbio que financia uma temporada de apresentações de grupos de fora da cidade de Salvador, na Casa Preta Espaço de Cultura.
O ENXURRADA CASA PRETA é um projeto contemplado pelo Edital Setorial de Dinamização de Espaços Culturais, realizado pelo Aldeia Coletivo Cênico, em parceria com Ateliê Cenográfico Maurício Pedrosa, Grupo Vilavox, Casa Preta Espaço de Cultura, Nzazi Produções, com financiamento do Fundo de Cultura, através da Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda e Governo do Estado da Bahia.
Aqui o link do evento do facebook:

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DJALÔ. VIVÊNCIA DE CONFECÇÃO DE XEKERES em ARACAJU

Djalô. Vivência de Confecção de Xekeres em Aracaju

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A vivência *Djalô . Confecção de Xekerès* te convida a adentrar no universo mágico da confecção deste instrumento de percussão presente em vários territórios do oeste afrikano, em países como Nigéria, Togo, Gana, Benin, Mali, Serra Leoa e Costa do Marfim. 
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Facilitada pela musicista, pesquisadora e luthier Mo Maiê, a vivência acontecerá na Sede do Grupo de Capoeira Angola Abaô, na capital de Sergipe.
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Aprenderemos como confeccionar um Xekerê passo a passo, conhecendo sua história, técnicas de trançado, geometria sagrada, cuidados com a cabaça e introdução a ritmos ancestrais, permeado pelos fundamentos da Filosofia Bakongo.
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Para acessar o link da vivência no Facebook > https://www.facebook.com/events/804647406404275/